6 de jun de 2010

POESIA


Fazia um bom tempo que não lia um livro de poesia, tinha chegado a uma fase de aversão à poesia simplesmente não conseguia digerir qualquer que fosse o poeta. Talvez a culpa tenha sido o “transe” da cidade é tudo muito rápido não dá tempo de respirar quanto menos saborear uma boa poesia.
Alguns dias atrás ao entrar na biblioteca da Unama (mais uma vez) me deparei com a estante de livros paraenses e lá estavam se não me engano três livros do poeta e multiprofissional João de Jesus Paes Loureiro. (ô nome esticado, não sei por que todo mundo que se refere a ele cita o nome dele completo até onde eu saiba não tem nenhum outro João de Jesus Paes Loureiro de renome, por isso vou chamá-lo apenas de Loureiro) como estava falando encontrei com um dos livros da série obras reunidas da editora escrituras de Loureiro, Poesia volume I.
Na loucura de fim de TCC ousei pegar pra dar uma espiada afinal só tinha ouvido falar dele nunca tinha lido nada de sua obra, e que boa surpresa! Quase todas as poesias que li, até agora, do livro me agradaram. Como o livro é de poesia eu leio aleatoriamente abro uma página e pronto; assim é mais gostoso. Leva mais tempo pra terminar isso é verdade, mas assim é bem divertido.

Deslenda rural XI
Tambatajás
                   Vulvas
Abertas, gozo,
                        Leite sangrado
Sêmen recolhido
                          Entre larvas de suor
E ervas de medo.
O seringueiro sangra-se.
Sanguelátex.
                     Sanguessugas
                     Espreitam o aviamento
Húmus e hímens.
                          Deflorações pela várzea.
O empresário
                   O boto
                   O capital
                   A lenda...
Naufragadas ubás
                            Fetos, naus tão frágeis
No placentário ventre das marés.