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RE X PA AZUL E BRANCO

RE X PA do dia 22/04/2009
Normalmente ser chamado de maluco ofenderia muita gente, entretanto para o autor do gol que colocou fim numa agonia bicolor de três anos parece não se importar com esta alcunha, aliáis “pseudônimos” não lhe faltam agora voltemos para o dia 22 de março, dia mundial da água, mais um RE X PA, Estádio Edgar Proença, o mangueirão, abarrotado com mais de 36 mil fanáticos, hinos sendo entoados pelas “extintas” torcidas organizadas. A torcida remista visivelmente animada com uma invencibilidade de nove jogos. Já o lado alvi-celeste tímido e esperançoso.
Tempo fechado, nada de chuva, um minuto de silencio (não respeitado), ao falecimento de um ex-tunante e que jogou também pelo clube do remo. São 16:05 começa o jogo, animação e euforia? Só nas arquibancadas porque nas cadeiras ocupadas pela torcida do Paysandu a partida parece ainda não ter começado. Reinam os bons modos, falsa tranqüilidade, todo mundo sentado com rádio ou celular sintonizado numa das três principais emissoras que estão cobrindo o clássico.
O bicola, como é conhecido por seus seguidores, toma a iniciativa para eles a pressão de vencer é maior. A disputa fica amarrada com a marcação no meio de campo, os volantes adoram. O público não.
Nas cadeiras o que a principio mostrava ser um mar de cavalheirismo transforma-se em uma aldeia medieval, conversas delicadas ao pé do ouvido dão lugar a urros e grunhidos, os assentos viram tambores fonte para descarregar a tensão.
O gol teme em não sair, dilacera o coração do meu vizinho de cadeira, é um tirar e colocar de óculos seus cabelos grisalhos já não estão alinhados, o negro atrás dele se levanta e de sua boca saem rajadas de palavrões. Do meu outro lado uma gorda se levanta, sobe na cadeira, ordena táticas estranhas
- Todo mundo pra frente já! P***a cuidado com a zaga!
Já acabou o primeiro tempo? O velho pergunta, como que não acreditando na velocidade do tempo.
O intervalo vem e com ele grupos de carimbós, volume altíssimo quem não se arrisca a sair do seu lugar observa o show, a mente nos vestiários. Quem vai entrar? Especulações correm soltas. Já vem a chuva o segundo tempo vem junto. O jogo fica mais equilibrado até os vinte, a partir daí o remo evolui rapidamente três gols em seguida três impedimentos também. O juiz não marca qualquer tropeço e isso irrita os azulinos, reclamam, “elogiam” a mãe do coitado. Os trintas chegam cadê o gol? RE X PA sem gols, mais um empate? Não acredito joguei meu dinheiro fora!
O Zé maluco entra e quem sai? Não importa.
Mais um chutão da zaga do Paysandu, não, é um lançamento no pé do balão, mas ele já entrou? Nem vi. Chuta balão! Cruza pro Zé Augusto.
Selvageria total! O velhinho quer arrancar a grade não dá pra escutar o que dizem apenas grunhidos e berros.
Apenas metade do estádio grita. O tempo se arrasta e quantos minutos de acréscimo? Não sei. Análise tática? Esquece.
Paysandu vence com único gol. A felicidade não sorri pra todos.
Mais um RE X PA programado para o dia 12 de abril. Vai ser um dia histórico porque se o remo perder ele não vai disputar o Campeonato Brasileiro da série D a última divisão! E hoje vai ter RE X FLA. Está em jogo um tabu de 34 anos em que remo não vence o Flamengo. Caso o Remo vença. Apocalipse....

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