Pular para o conteúdo principal

Radiojornalismo, História e Projeção Estadual

INTRODUÇÃO

A primeira transmissão do rádio é um ponto ainda com muitas controvérsias no meio acadêmico, pois, são muitas as datas e pessoas que reivindicam para si o pioneirismo. O que se convencionou pela historiografia tradicional foi que o nascimento do rádio no Brasil ocorreu em 1919 com a Rádio Clube de Pernambuco. Dando inicio, portanto ao que veria se tornar um dos veículos com maior alcance perante a sociedade brasileira.
No estado do Pará o rádio ganhou vida no final da década de 20, mais precisamente no dia 22 de Abril de 1928 surgia então a PRC-5 liderada por Roberto Camelier, Eriberto Pio e Edgar Proença e que tinha como estilo ser uma “rádio-associação” de amigos que a sustentavam por intermédio de pagamentos de valores mensais. Segundo o jornalista Flávio Cavalcante o material musical, entende-se os discos, eram emprestados pelos comerciantes da época e como troca ganhavam a divulgação de seus nomes na programação da rádio. Talvez tenha isto sido um embrião da publicidade no rádio paraense que só veria a se concretizar de fato na década de 30.
A poderosa PRC-5, apelido dado pelo radialista Milton Santos, só veria a conhecer o que era concorrência apenas na década de 50 com surgimento da Rádio Marajoara em 7 de junho de 1953 tendo com apoio os Diários Associados do magnata das Comunicações Assis Chateaubriand.
Posteriormente surgiriam inúmeras outras rádios com duração de vida variável e mesmo com o aparecimento da televisão o rádio soube se adaptar com as mudanças impostas pelo mercado e pela tecnologia ainda mais com o “upgrade” proporcionado pela revolução digital criando as rádiosweb. Interligando locais antes inimagináveis.

JUSTIFICATIVA

Este pré-projeto é importante para reavivar a importância do rádio, seu dinamismo e penetração na sociedade paraense. Além de mostrar a projeção da radiodifusão em terra paraoara auxiliar e ensejar a curiosidade por este veículo de comunicação que a mais de oito décadas vem trazendo notícias, sonhos e paixões na população paraense.
Objetivo Geral

Reavivar a importância do rádio, seu dinamismo e penetração na sociedade brasileira e contribuir para elucidar os rearranjos e inovações Técnicas, empresariais e profissionais que permearam o radiojornalismo Paraense desde o nascimento passando pelo período “romântico” até a era on-line.

Objetivo Específico

§ Mostrar a relação profissional-ouvinte e que efeitos resultaram desta relação,

Problema

Por que o rádio sobrevive e expande-se mesmo com o surgimento de novas mídias?

Hipótese Básica

· O rádio sobreviveu e ainda o sobrevive ao surgimento de novas mídias devido sua flexibilidade, e fácil entendimento.

O Radiojornalismo começou a sofrer uma melhor estruturação apenas na década de 40 com o aparecimento da Radio Nacional (1941- 1968) tornando-se o mais importante noticiário radiofônico tendo o Repórter Esso como o principal programa de notícias do país logo mais surgiria em 1942, na Rádio Tupi em São Paulo era implantado O Grande Jornal Falado Tupi, idealizado e executado pelo jornalista Colifeu de Azevedo Marques e que empregou técnicas do jornalismo impresso no rádio, como por exemplo, o sistema de manchetes. No Pará, a Rádio Clube leva ao ar o Jornal PRC-5 que de início encontrou dificuldades devido à carência tecnológica. Ainda na PRC-5 seguindo os passos do Repórter Esso fora criada O Jornal Relâmpago que possuía edições extraordinárias.
A notícia, portanto ganhava novos rumos e locais antes inacessíveis as jornalistas Ruth vieira e Fátima Gonçalves deixam claro ao afirmar que a partir de 1942, a Rádio Clube começou a operar também em Onda Tropical, com um transmissor de cinco quilowatts, sendo ouvida em toda a região amazônica e até fora do país. A respeito da afetuosidade as autoras contam sobre:

“A possibilidade de transmitir ao vivo os grandes acontecimentos da cidade, como
o Círio, as batalhas de confete e a apuração de eleições, tornou mais dinâmico o
radiojornalismo em Belém. Durante o carnaval, por exemplo, eram escalados
locutores para o Pronto Socorro Municipal, Polícia e departamento Estadual de
Transito (DETRAN), além de uma equipe volante que percorria as ruas
movimentadíssimas da cidade. Nesses eventos especiais, invariavelmente, a equipe
de jornalismo era engrossada pelos profissionais do setor de Esporte,
considerados de grande qualidade”.

Ruth Vieira e Fátima Gonçalves. (2003, p.87)
Hipóteses Secundárias

· O rádio sobrevive graças à relação de afetividade existente entre ouvintes e profissionais do rádio.
· O rádio sobrevive devido às dimensões territoriais do estado do Pará.

Ainda segundo as autoras de Ligo o Rádio para Sonhar. A História do rádio no Pará o grande apego e relação de cumplicidade com os profissionais da comunicação geraram episódios cômicos como o do radialista Advaldo Castro que após trabalhar na novela uma escada para o céu começou a receber inúmeros telefonemas de uma ouvinte. Certo dia marcaram um encontro em frente ao Teatro da Paz, definiram que iriam para facilitar o reconhecimento.
Advaldo aproxima-se da moça ela olha e diz:

-Ah, mas está tudo errado, eu pensei que o senhor tinha um metro e noventa, loiro, de olhos azuis.
Castro responde:
-Não, eu sou um caboclo de Abaeté, eu não tenho olhos azuis, sou moreno.
Outro profissional querido pelos ouvintes foi Paulo Ronaldo que escrevia e comandava A Patrulha da Cidade famosa pela formar singular de transmitir o noticiário policial, dono de carisma e talento Paulo Ronaldo criou expressões como “Pedreira do Samba e do Amor” e “Se o doente quer canja, canja para o doente” e que logo caíram na “boca do povo”.

Em rede nacional houve episódios que marcaram o início de artistas, hoje, consagrados, como por exemplo, o caso do humorista Chico Anysio* e que relata seu início não rádio.

“Meu começo na rádio aconteceu em 1948, na rádio Guanabara (...) fui fazer um teste na rádio junto com minha irmã, fiz um teste de locutor o qual tirei o segundo lugar, o Silvio Santos ganhou e fiz teste de rádioator tirei o sétimo lugar, Fernanda Montenegro venceu, perdi bem”


Caso oposto foi o do dramaturgo Dias Gomes que recebeu uma carta-convite de Edvaldo Vianna o convidando para trabalhar na recém criada rádio Pan-américa agora Jovem Pan. Dias Gomes revelou-se um sucesso chegando à marca de 500 adaptações de peças de teatros, filmes e concertos para o rádio tudo veiculado no “Grande Teatro”.
  • A respeito do embate da televisão com o rádio o radialista Fernando Veiga* faz uma sucinta observação
“Com o advento da televisão o rádio foi naturalmente compelido a alterar sua
programação para conviver com a televisão então rádios com custos muito altos,
com um cast de radioatores e radioatrizes, orquestras e artistas foram sendo
substituídas pelas rádios-musicais, obviamente o custo era menor”


Já na década de 80 ouve um aparecimento maciço de Rádios FMs de acordo com a jornalista Alexandra Jamile Cavalcanti Rodrigues
“A década de 80 ficou marcada pelo aparecimento e propagação das FM's. Muitas
surgiram e desapareceram nessa época. Algumas chegaram a ter pouco tempo de
vida. As principais rádios FM's da década de 80 foram: Rauland FM, a mais
antiga, surgiu no final da década de 70; Rádio Liberal FM; Rádio Cidade FM;
Rádio Carajás FM, Rádio Belém FM; Rádio Guajará FM, Rádio Cultura FM. As rádios
mais ouvidas durante a década de 80 foram: a Rauland FM, Liberal FM e Rádio
Cidade FM”
Alexandra foi aluna do curso de Comunicação Social da UFPA, habilitação jornalismo, em 1999. Este texto é parte integrante da pesquisa “Os Setenta Anos de Rádio Em Belém”, coordenada pela Profª Drª. Luciana Miranda Costa, do Departamento de Comunicação Social da UFPA, e também fez parte do TCC “O Rádio em Belém na década de 80 – Relatório Conclusivo”, defendido por Alexandra Rodrigues em Março de 1999. Orientadora: Profª Drª Luciana M.Costa.
Ainda a respeito das rádios FM o diretor do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro* assinala que o rádio sofreu uma evolução muito forte a partir do momento em que surgiram as FM proporcionadas com aparecimento do transistor elevando ainda mais o alcance do rádio. Hoje as FM é o local que abriga basicamente o entretenimento e possibilitou que o rádio alcance a marca de 95 a 98% da população.
As rádios-web no Brasil segundo o Mestre em Comunicação e Mercado – Fundação Cásper Líbero e Professor de Produção em Rádio e TV – FACOM. Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP, Álvaro Bufarah Junior são bem mais recentes e a primeira foi a totem.com, além de ser também a primeira emissora on-line da América Latina. A emissora foi criada em outubro de 1998 por Eduardo Oliva que era na época representante da Real Network no mercado brasileiro. Sua intenção era demonstrar as possibilidades de uso dos programas da empresa norte-americana; a totem.com saiu do ar em setembro de 2001, por falta de recursos para manter os custos operacionalmente. Desde o surgimento da primeira rádio-web o pilar principal continua quase que inalterado forjam-se programas direcionados as mais diversas “tribos” musicais oferecendo materiais como curiosidades, noticias, divulgação de novas tendências tudo com uma linguagem próxima e descolada.
A facilidade de se criar uma rádio on-line atualmente permite surgirem “estações” em todo cantos do globo terrestre, o que não implica necessariamente em material de qualidade e nem em longevidade uma vez que o mal que assola as mídias hospedadas na web é a falta de divulgação tornando-os mais um dado estatístico, mais uma url perdida entre tantas outras. Para citar algumas rádios-web de grande alcance enumera-se a rádio UOL, a rádio Terra e a rádio Live Mix.
No Pará não existem rádios on-line de grande alcance pode-se elencar as rádios Web Rádio ATLÂNTICO FM de Bragança, a Web rádio Cultura Viva de Vitória do Xingu sendo a Rádio Ultra Energy a primeira Rádio Web do Pará com direcionamento ao público gospel.
___________________
*Depoimentos contidos no documentário Rádio no Brasil: 1922-1990.

O web jornalismo brasileiro inaugurou-se com o lançamento do JB on-line em 1995 em geral os textos são curtos direcionados a um público que não tem “tempo” nem paciência para ler algo mais cadenciado. Atualmente destacam-se os sites globo news, band news e blogs escritos por jornalistas consagrados como o blog do Noblat.

Metodologia do Pré-Projeto

O pré-projeto irá se basear nos seguintes processos:

· Pesquisa exploratória,
· Pesquisa bibliográfica,

Cronograma do Pré-Projeto

1. Fase decisória: 12/05/2008.
2. Fase Construtiva: 13/05/2008 a 30/05/2008.
3. Fase Redacional: 31/05/2008 a 06/06/2008.

As Etapas do Pré-projeto

1. Escolha do tema: 12/05/2008.
2. Formulação do problema: 16/05/2008
3. Justificativa: 16/05/2008
4. Revisão da literatura: 02/06/2008
5. Determinação dos objetivos: 16/05/2008
6. Metodologia: 16/05/2008
7. Coleta de dados: 19/05/2008 a 30/05/2008
8. Organização dos dados: 02/06/2008 a 03/06/2008
9. Análise e discussão das hipóteses: 04/06/2008
10. Conclusão da análise das hipóteses: 05/06/2008
11. Redação e apresentação do Pré-Projeto: 09/06/2008

FONTES
www.radialistasp.org.br/hist_radio.htm
www.locutor.info/Biblioteca/PROJETO_TEORICO_SOBRE_A_HISTORIA_DO_RADIO.doc
www.radionopara.ufpa.br/
http://www.oparanasondasdoradio.ufpa.br/
Documentário Rádio no Brasil: 1922-1990. Direção Geral Carlos Alberto Vizeu.
Realização: TELE-TAPE/TVE Rede Brasil.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Vieira, Ruth; Gonçalves, Fátima. Ligo o rádio para sonhar. A história do rádio no Pará. Março 2003. Edição Prefeitura de Belém.

Nascimento, Alessandra; Brandão, Janine; Feitosa, Waleska. Rádio Marajoara AM: Comemorando 50 Anos de História. Outubro 2000. Projeto Experimental, Unama, Belém.
Lúcia Maria Bastos P. Neves, Marco Morel, Tania Marial Bessone da C. Ferreira (Organizadoras). História e imprensa: representações culturais e práticas de poder. Rio de Janeiro: DP&A; Faperj, 2006.

Mágda Rodrigues da Cunha; Doria Fagundas Haussen (organizadores). Rádio brasileiro: episódios e personagens. – Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003.

Postagens mais visitadas deste blog

CONTOS AMAZÔNICOS

Esse post é para quem curte contos, vou por um conto do livro O REBELDE E OUTROS CONTOS AMAZÔNICOS, de Inglês de Sousa publicado pela editora scipione com Ilustrações de Fernando Vilela e com Organização de Maria Viana. O livro contém os contos: O Rebelde, A Quadrilha de Jacó Patacho, O Donativo Do Capitão Silvestre e o Voluntário. Mas antes de colocar o trecho do livro é melhor ver o que o livro diz a respeito do autor.







Inglês de Sousa:

A publicação de Contos Amazônicos, em 1893, deu-se em tempos de agitação política e de efervescência intelectual. Nesse ano saíram Missal e Broquéis de Cruz e Sousa, títulos que inauguraram novo momento literário brasileiro, o Simbolismo.

Para o crítico Araripe Júnior, "a produção literária (...) foi relativamente abundante, pelo menos os jornais e as revistas andaram muito pejadas de pequenas publicações narrativas variando desde o grotesco até o épico".


José Veríssimo apresentou julgamento bem diferente sobre o movimento literário desse ano tã…

PALAVRÃO NÃO É PORNOGRAFIA

Texto publicado originalmente no O PASQUIM em dezembro de 1969 nº 25 Como o Texto é dividido em 5 partes vou (ou melhor iria pôr) pôr em 5 post devido a extensão do artigo de Rubem Fonseca. Rubem Fonseca
I – PORNOGRAFIA?
Pornografia, do grego pornographos (porne, prostituta + graphein, escrita) significava, originalmente a descrição de prostitutas e da prostituição em relação à higiene pública. Hoje, segundo os dicionários pornografia é o caráter obsceno de uma publicação ou, ou de uma coleção de pinturas.
Quando se diz que alguma coisa é pornográfica é porque essa coisa descreve ou representa: a) funções sexuais ou funções excretoras; b) mediante, em certos casos, a utilização de nomes vulgares comumente conhecidos como palavrões. O termo pornografia, quando utilizado aqui, terá sempre essa acepção.
Freud, no prefácio do livro Scatologie Rites, de Bourke, diz que é comum serem as pessoas afetadas por qualquer coisa que as relembre inequivocadamente da natureza animal do homem... Eles escon…

Verde Tempo

Hoje ajudando minha esposa a fazer um trabalho da escola que falava sobre trovadorismo relembrei minhas aulas do ensino médio.  A Cantiga do desencontro reavivou lembranças de algo que não volta mais eramos adolescentes sonhando com a universidade; família, emprego e outras obrigações eram uma imagem distante mas de repente as coisas mudaram será que foi eu que mudei? Não sei mas as passagens da vida sempre deixam um gosto de perda, algo que o vento sopra e leva embora e o coração fica espremido entre uma lágrima e outra.  Tudo passa muito rápido alegrias e tristezas se esbarrando dentro de um tornado e eu dentro dele. Saíamos das aulas correndo atrás dos nossos sonhos mas nem tudo é como pensávamos, surpresas, mudanças de rota.
Lágrimas que escorrem e soluços que abafam...
Cantiga do desencontro
"Ai flores do verde tempo, Cheias de sol e distância... Em que canteiro deixaste O aroma de minha infância?
Ai flores do verde tempo, Alvas luas que semeei... Em que camada de terra Mor…