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PROFISSIONAIS DO SEXO

Profissionais do sexo, qual o limite da necessidade?
Por Héden Franco

Nascer, crescer, reproduzir e morrer. Esse é o Ciclo da Vida, uma maneira natural de explicar uma das finalidades específicas do ser humano na terra. Em contrapartida a esse conceito, muitas pessoas costumam ter o habito de não seguir a risca essa ordem, principalmente quando entre os costumes dos adeptos desse tipo de vida (se é que assim podemos afirmar) está a prática do ato sexual sem camisinha. Neste caso o “morrer” adquire certa pressa e fica muito a frente do “reproduzir” e em casos mais extremos, ultrapassa o “crescer”.

Some a todo esse cenário, de doenças sexualmente transmissíveis, as pessoas que dependem do ato sexual para sobreviver como é o caso das prostitutas. Vivendo entre a cruz e a espada, onde em muitas das vezes o pedido do cliente fala mais alto, acrescente nesse caso algumas notas de cem reais, muitas profissionais do sexo não resistem a tentação e aceitam a proposta de transar sem nenhum tipo de proteção. Estamos diante de um caso, onde as necessidades atropelam de forma esmagadora a consciência de discernir entre o certo e o errado.

Aliás, o que vem a ser certo e errado para pessoas que não tem outra alternativa para sobreviver? Podem até não ter outra forma de sobreviver, mas se submeter a prática do sexo sem uma camisinha sequer, isso é inadmissível. Pelo menos é o que pensa a prostituta conhecida como Rosa, que trabalha há mais de 20 anos nesse ramo. “Eu penso mais na minha saúde, e nesse processo todo nós temos que pensar no lado negativo, não só na grana” afirma.

Segundo Rosa, as próprias dificuldades do dia-a-dia que contribuem para formação de um cenário onde a escolha pelo sexo inseguro torna-se quase uma unanimidade. “Às vezes a mulher se arrisca a pegar uma determinada quantia, normalmente alta, para fazer o sexo sem camisinha porque a vida na zona não está fácil, os programas estão difíceis e super baratos, ou seja, ela pensa logo nos benefícios” diz a prostituta. Consciente de que a vida não tem preço, Rosa afirma que um cliente que faz uma proposta dessas desconhece o real perigo pelo qual está prestes correr. “Um cara dizer que fazer sexo com camisinha é a mesma coisa que chupar uma balinha com toda casca, é um absurdo, é pura falta de consciência do risco que está correndo” diz.

Para Lourdes Barreto, presidente do Grupo de Prostitutas da Área Central de Belém (GEMPAC), na condição em que vivemos, em pleno século 21, onde as informações circulam com uma grande velocidade, é inadmissível uma pessoa se submeter a correr o risco de contrair uma Doença Sexualmente Transmissível (DST). “Não há mais a necessidade de você fazer uma campanha de distribuição de preservativos na zona, até porque muitas mulheres sabem quais são os riscos de manter uma relação sexual sem camisinha” explica.

Uma vida onde palavras como “necessidade”, “saúde”, “dificuldades” e “sexo” ditam o andar da carruagem, um cotidiano incomum passa a povoar a mente de muitas dessas profissionais do sexo. Vale ressaltar que nesse cotidiano existem as mulheres que respeitam o ciclo da vida e outras que teimam em inverter o papel das coisas abrindo margens para um horizonte cheio de riscos.

Histórias de Puta

Por Luiz Guilherme

Nem só de histórias sérias vivem as prostitutas que trabalham na área central de Belém. A profissional do sexo Rosa conta que tem um cliente desembargador que a procura regularmente para fazer programa, mas acontece que o dito cujo é um pouco estranho na hora de manter relações sexuais. Antes de começar o programa, o homem aparentemente sério coloca uma calcinha fio dental, veste uma calça bem colada ao corpo e sobe num salto plataforma para logo em seguida começar a desfilar para Rosa e pedir que ela o trate como uma mocinha. Ao contar a história, Rosa não segura o riso e se diverte contando o caso que aconteceu com ela.

Outra história engraçada aconteceu com nossa amiga cinderela, que trabalha na prostituição desde os 10 anos de idade. Segundo nos contou, havia um cliente que a procurava vez ou outra atrás de seus favores sexuais pagos, até neste momento está tudo tranqüilo, mas o que fazia cinderela ficar meio constrangida era o fato de que ao entrar no pequeno e simples quarto de um bordel barato, o cliente pedia para que ela deitasse na cama para iniciar a relação e após alguns minutos, solicitava com bastante educação que ela enfiasse uma banana verde e bem dura no ânus dele para que assim pudesse chegar ao orgasmo, assim que a bacana era colocada o homem dava gritos e mais gritos de prazer até alcançar o clímax da relação. O problema foi que uma vez, na falta da banana, ela não encontrou nada que pudesse substituir a fruta, e o seu parceiro não poderia ficar sem sua fantasia, até que cinderela não pensou duas vez e introduziu uma garrafa de cerpinha no orifício anal do cliente que aprovou a idéia e mais uma vez conseguiu alcançar o seu objetivo na relação.

Certa vez, Cinderela conheceu um cliente que quis fazer um programa pagando um preço muito alto para os padrões da época, cerca de 50 cruzeiros era muito dinheiro, se comparado com a média de 5 ou 10 cruzeiros que era a média dos programas na época. Ao se dar conta de que o preço que receberia era demais, achou que seria de certa forma “acabada” ao término, já que era não era comum tal oferta. Chegando ao quarto, o cliente lhe pediu que deitasse na cama e ficasse toda aberta, neste momento Cinderela brincando, achou que seria seu fim naquele momento e brincou com cliente para este ter pena dela, mas para a sua surpresa, o parceiro simplesmente ficou nu dando voltas em torno da cama, se masturbando e dizendo pornografias em voz alta, como se somente pudesse olhar sem tocar na mulher que estava diante dele, feito isso, passou cerca de 30 minutos se masturbando e gritando até que ao sentir que iria chegar ao orgasmo, pegou um pedaço de papel higiênico e ejaculou sobre ele, sem deixar que nada sujasse o local. Ao terminar, pediu que ela se vestisse e saiu como se nada tivesse acontecido. Ao lembrar-se da história Cinderela afirma que este foi o dinheiro mais fácil que já ganhou fazendo programa!

O Cenário atual da prostituição no Pará

Por Midiel Carlos

Você sabia que a prostituição é considerada a profissão mais antiga do mundo? Mas sempre houve um grande estigma que vem perdurando há séculos, o de que as profissionais do sexo são mulheres de vida fácil as quais não tem um trabalho digno. E é esse estigma que muitas mulheres, profissionais do sexo, tentam quebrar.


O Grupo de Mulheres Prostitutas da Área Central de Belém (GEMPAC) vem lutando de forma assídua para que a realidade da prostituição mude no Brasil. De acordo com o último senso do IBGE foi constatado que apenas 5.304 pessoas ganham o pão fazendo sexo, mas de acordo com Eunice, que usa o nome de cinderela na hora do trabalho e faz parte do GEMPAC, o número é muito maior, “outra coisa que também estamos tentando mostrar, é que prostituição nada mais é do que um serviço de troca onde você oferece algo, para receber algo do mesmo valor, por isso que nós não temos vergonha de revelar nossa profissão e muitas também não deviam sentir-se envergonhadas”. Completou Cinderela.

No Pará, um dos maiores pólos de prostituição da região norte do país, a prostituição vem crescendo de forma oculta, e significativa, mas uma triste realidade se esconde atrás desse crescimento, a exploração sexual infantil. A prostituição infantil é repugnante para muitas mulheres que vivem da prostituição. Onde há os maiores focos de crescimento da exploração sexual infantil é nos interiores do estado, já que é muito difícil haver fiscalização, pois os locais são de difícil acesso e a profissão não é legalizada no País. “Hoje é vergonhoso ver muitas criancinhas as beiras das estradas vendendo os corpos, os quais ainda estão em desenvolvimento, se a profissão fosse legalizada dificultaria as crianças se prostituirem, pois, haveria muito mais leis e fiscalização” completa Lourdes Barretos, uma das fundadoras do Gempac.

A prostituição vem entrando no cenário nacional de forma mais apresentável, talvez pela mudança de pensamento do governo, hoje há um projeto para que a profissão seja regulamentada, já que indiscutivelmente pode ser considerada como um meio de sobrevivência. “Eu sou prostituta por falta de oportunidade, não tive estudo, muito menos um emprego que proporcionasse um salário tão bom quanto o meu atual, às vezes faço programa, mas é como se eu estivesse em casa, pois, não penso no trabalho mais sim no dinheiro que eu vou ganhar, e como ele pode comprar o alimento da minha família” diz pensativa Maria Rita.

Com o crescimento significativo de profissionais do sexo nos últimos anos, o “mercado” paraense de prostituição, vem sofrendo muitas mudanças, “hoje muitas mulheres já não ficam nas calçadas esperando o cliente chegar, elas vão pra casas noturnas ou então são apresentadas por amigas aos estrangeiros, mas essas têm que ter algum estudo de língua estrangeira ou mesmo ter algum diferencial” diz Cinderela, apontando como está dura a “concorrência”.

No País do futebol, na terra do carimbó, a prostituição é uma profissão que move muito dinheiro, principalmente da metade ao final do mês e nas temporadas que os estrangeiros passam na capital e no interior paraense atrás de sexo fácil.

Atraso Cultural

Por: Bruno Figueiredo

O GEMPAC surgiu através do esforço da prostituta Lourdes Barreto no final dos “anos de chumbo” e em Belém estava defenestrada pela política dos militares a questão social se insurgia com pauta do momento liberdade de expressão era palavra comum na época, mas a realidade era e ainda é que a tal liberdade não abarcaria a todos como de costume minorias sociais ficariam alijadas da reabertura política e as profissionais do sexo se encontravam neste grupo.

Foi com o intuito de reverter esta situação que GEMPAC veio à luz para pôr a prostituta como sujeito social incluída como parte perene na sociedade. Uma das bandeiras defendidas é a legalização da categoria sempre com o cuidado de ressaltar que legalizar é apenas um passo para o ensejo maior do GEMPAC que é a aceitação da prostituta como cidadã portadora de direitos e deveres e a repulsa da rotulação de vitimas do establishment local.

No Brasil a legalização da prostituição esbarrou na rejeição do projeto de legalizar o deputado Gerson Peres (PP) contrário a legalização resumiu o porquê da rejeição: "Não existe serviço sexual, o que existe é o prazer do sexo, o gozo sexual. Não se paga por isso. Para ser mais claro: a mulher dá porque quer dar", Para lamento da presidente da Rede Brasileira de Prostitutas que afirmou: "Sinto muito que os deputados tenham essa cabeça horrível. E que as deputadas nunca tenham nos chamado para debater. Sinto que não nos considerem cidadãs de primeiro grau."

Enquanto no Brasil a legalização foi rechaçada, na Holanda a prostituição como profissão é um fato que gera renda e atrai visitantes interessados em turismo alternativo no famoso bairro da “luz vermelha” onde mulheres se exibem durante oitos horas cobrando em torno de 40 ou 50 dólares, auxiliadas por um empresário que a gerencia e protocola a permissão de trabalhar junto ao órgão responsável. Enquanto que em Belém as maiorias das prostitutas estão à mercê de traficantes e criminosos que se Aproveitam da situação deplorável vigente em nossa sociedade.
GEMPAC (Grupo de Mulheres Prostitutas da Área Central)
gempac@expert.com.br

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