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Cabanagem, sangue, suor e revolução

Por: Bruno Figueiredo


A Cabanagem eclodida em 1835 no Grão-Pará trouxe profundos rearranjos tanto no cenário político e social. Surgia, portanto um governo emanado de bases heterogêneas, mas que possuía em seu bojo o clamor popular. A cabanagem ou as cabanagens como vem sendo chamada pelos historiadores atualmente fora composta por grupos distintos e que tinham em comum a derrubada da hegemonia lusitana no campo econômico e político.

O historiador Mario Médici enfatiza dissertação de mestrado onde a diversas facetas no movimento cabano além de deixar claro o alto grau de violência repressão durante o conflito. Diferente da Revolução Farroupilha a Cabanagem teve em um primeiro momento um tratamento depreciativo por parte da intelectualidade da época o que fica claro nos “Motins Políticos” do Barão do Guajará Domingos Antonio Rayol e que lançou um olhar anti-cabanagem motivado pelo contato negativo com os cabanos ou tapuias sanguinários como ele mesmo sublinhava.

O movimento, motim ou revolução depende quem o analisa só veio ganhar uma conotação positiva com o surgimento do então jovem Jader Barbalho catapultado do movimento estudantil e tendo obviamente o apoio e carisma não foi difícil o líder da Juventude Estudantil Católica associar a memória da cabanagem a sua imagem. A inauguração do memorial da Cabanagem em 7 de janeiro de 1985 trouxe a tona o debate acerca do levante ou melhor revolução popular.


Inauguração polêmica pois dias antes havia sido assasinado um famoso lider agrário.

Novamente em 1997, o então prefeito Edmílson Rodrigues se intitulou o prefeito cabano mostrando o fascionio e mascaramento da realidade provocando um verdadeiro anacronismo.

O movimento ou motim ainda ressente de um ecoamento perante as camadas sociais paraense tudo é muito étero, vazio algo que aconteceu a muito tempo atras e que para muitos não merece muita atenção com isso a história paraense fica refem de discursos demagogos, escamoteados em falsos cabanos e políticos biônicos.

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